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Um pouco de chá e Balzac

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Nunca tinha parado para pensar sobre a famosa questão balzaquiana mesmo depois de ter completado 30. Não tenho problema em falar sobre idade e o único grande problema que percebo no meu corpo, é a “fuga do colágeno”….a pele já não é mais a mesma, mas fazer o quê?  Não se pode ter tudo não é?

Porém,  ontem vivenciei um momento balzaquiano e cheguei a uma nova conclusão sobre o assunto.

Encontrei um velho amigo. Sabe aquele bonitinho que as meninas enlouqueciam por conta dele e que nunca te deu bola? Só te procurava para pedir favores e você por pura ingenuidade e até mesmo um pouco de falta de inteligência,  fazia esses favores a troco de nada? Pois é, já não é mais o mesmo. O abdomen, a pele, os cabelos, o vigor, tudo o que chamava nele, parece que perdeu-se no decorrer do tempo, mas até aí, tudo bem, afinal somos maduros agora, vamos conversar e relembrar velhos tempos sem qualquer tipo de cobrança ou ressentimento.

E a conversa flui, soltamos algumas gargalhadas por conta de algumas lembranças e daí chega a parte triste. O mocinho abre o coração e conta tudo o que aconteceu de trágico nos últimos anos, um verdadeiro pedido de atenção e arrego e você se vê sem muito a dizer a não ser: “Puxa vida, é mesmo? Mas você vai superar”… Por fim, ao final de toda essa história triste vinculada a decepções amorosas e filhos bastardos,  ele pede seu telefone e diz quão maravilhado está em ter te encontrado, que você está melhor que nunca…

É, atingir os 30 atrai homens que agiram de forma imatura a vida toda e buscam uma nova oportunidade de errar com você. Chega ser engraçado saber que qualidades que sempre estiveram presentes em sua personalidade, só puderam ser vistas depois de uma derrocada, uma ruína. Só sei de uma coisa, espero mesmo que ele supere esta fase Balzaquiana e encontre seu verdadeiro amor nos braços de alguém que esteja disposta a carregar todo esse fardo com ele e assim, quem sabe ele tenha um final feliz como ao do livro do Balzac, consigo enxergar até uma nova probabilidade, lançar um novo livro e o tema será:  O Homem de Trinta Anos .

…e o design?

Preenchendo um questionário para uma vaga de designer,  eis que surge a pergunta, como você define design?

Pensei em tantas respostas, passaram por minha mente tantas aulas, tantos workshops que participei inclusive um em 2006 com umas francesas Marine Peyre que desenvolvia luminárias com silicone e LN Boul, que desenvolvia utilitários e peças conceituais, inclusive  colares com macarrão. Lembro  até de ter ido ao Brás com elas e outros participantes do workshop em busca de EVA,  zíperes e outros apetrechos, esta é a parte lúdica do design. (O EVA foi furado e colocado em “bastões” de alumínio e foram parar em uma exposição aqui em São Paulo.) Foi uma boa experiência!

Recordei de algumas aulas com professores falando sobre o assunto. Engraçado pensar no que é design.

Design deveria estar em todo lugar, mas não está. Há muita programação visual pouco estudada, cadeiras e poltronas que embelezam, mas com falhas ergonômicas que causam dores em seus usuários. Assunto complexo!

Enfim, precisava responder.  De forma simplificada justifiquei:

Design  proporciona conforto, elegância e agrega valores aos produtos. Também melhora a comunicação e agrega bom senso nos trabalhos gráficos.

Pronto!

Depois de quase uma hora e meia  de teste, questionário e entrevista, fiquei sabendo o salário… Que vontade de chorar!

É meu bem, estamos no Brasil!

O bom design ainda é caro e a mão de obra bem barata.

Por fim, agradeci a proposta e decidir esperar  por outra.

Convite a exposição que aconteceu na Galeria/Livraria Pop em São Paulo  Fonte: http://os00.info/html/news.php?id=

Exposição que aconteceu na Galeria/Livraria Pop em São Paulo (Fonte: http://os00.info/html/news.php?id=)

Alfred Hitchcock já disse: “Não existe terror no estrondo”

Esses dias tenho andado no ócio e lendo bastante.  Não lembro mais onde li esta frase do Hitchcock, mas fiquei pensando nela.

O que será que o ‘mestre’ dos filmes de suspense quis dizer realmente? Quando há barulho, não há terror? Ou que,  o que amedronta, não faz barulho?

Bem,  provavelmente deve ter alguma explicação ligada ao mercado cinematográfico.

De certa forma eu concordo, existem coisas que chegam de forma silenciosa e  é um terror. Quando você recebe a notícia que foi demitido por exemplo….geralmente  seu gerente até estava te tratando melhor naquela semana…só voce não havia percebido o rumo que sua vida profissional iria tomar. A notícia veio sem barulho, nada de ruído, mas foi terriiiiível!!!! Houve lamentações logo em seguida, eis o estrondo.

Outro exemplo,  para quem conhece São Paulo, terror é andar na Marginal Pinheiros as 18h30 e ver aquele majestoso Shopping Cidade Jardim com suas torres residenciais, palmeiras, piscina olímpica de um lado, uma ponte imponente (ou melhor uma Obra de Arte conforme denominada pelos arquitetos) do outro e em seguida,  a comunidade do Real Parque ao lado do shopping. E claro não podemos nos esquecer da cor e do cheiro do rio, um verdadeiro terror.

Fiz uma sucinta lista do que aterroriza muita gente:

  • o terror atual, a Swine Flu (Gripe Suína maldita)….quanto barulho este assunto causa;
  • outro terror mais atual que a gripe, esperar praticamente dois meses para que Michael Jackson seja enterrado;
  • um cara chato quando pega no seu pé;
  • o  trânsito da cidade de São Paulo;
  • o  resmungo constante de alguém;
  • ficar em casa as tardes de domingo vendo TV;
  • o despertador numa manhã fria de segunda-feira;

Tudo isso  faz barulho e aterroriza!

Só em pensar que existe gente nesse mundo acreditando que a maneira correta de se ter dignidade é ficando rico, pode-se concluir que muita coisa causa terror, com ou sem estrondo.

Enfim, meu propósito não é de desanimar ninguém, mas para refletir. Que geração é essa? Cheia de terrores e anseios. Busca constante de soluções e repleta de ações inacabadas… e ainda Edvard Munch que lá em 1893 já pensava que era hora de ficar angustiado e gritar!

O Grito de Edvard Munch 1893
O Grito de Edvard Munch 1893

Angustia de Edvard Munch 1894
Angustia de Edvard Munch 1894