crônicas, arte, devaneios e outras histórias

Devaneio

Ele – Falava, falava, falava contava o quão arrasada estava sua ex-namorada, dizia saber amar, entender os outros, mas parecia não saber ouvir.

Ela – Emitia sons monossilábicos: “Sério?”, “Incrível”, “É”, “hum”.

Ele – Continuava falando mas nada era dito.

Ela – Devaneava! Sentiu sua bota machucando seu tornozelo, pensou em suas unhas, em como elas estavam belas, pensou em manda-lo ao inferno, pensava no proximo livro que iria ler, na próxima viagem, em suas conquistas, mas não sentiu nenhuma vontade de compartilhar estes pensamentos com ele.

Ele – O que você acha?

Ela – Desculpe!

Ele – O que você acha? Acha que já encontrou sua metade?

Ela – Não. Não busco metade (sorriu), sou completa.

The Return

Apesar de estarmos praticamente no meio do ano, este é o meu primeiro Post de 2010.

Estava sem tempo e assunto.

Resolvi fazer um levantamento do que aconteceu de bom e ruim, o que eu recomendo e o que eu não recomendo.

Recomendo:

– Assistir a um dos espetáculos do Cirque du Soleil pelo menos uma vez na vida.

Não é um investimento barato, mas para pessoas que valorizam o lúdico e a felicidade como eu, vale muito a pena.

– Comer nos restaurantes Dumas, Pasta Grill e no Mabella Steak House

Dumas fica na Vila Olímpia, Pasta Grill e  Mabella no itaim, as propostas são distintas, mas as comidas de ambos….Uma delícia!

  • O Dumas é aconchegante, comidas muito bem preparadas, tempero na medida certa e um dos poucos restaurantes em que comi que o bolinho de chuva servido na saída, é bem sequinho e saboroso.
  • Já o Pasta Grill, é um ambiente muito bem projeto, na entrada a sensação que se tem é de uma “muvuca” isto no horário de almoço, porém tudo acontece muito rápido, tem um atendimento dinâmico e sobremesas deliciosas, as sextas-feiras, as sobremesas tem o preço reduzido. Na saída sempre tem um chazinho que chamo de exótico, abacaxi com cidreira ou algo do tipo sempre muito saborosos.
  • Diferente dos outros, o Mabella Steak House, abre aos finais de semana. Tem muita opção de lanches e o atendimento muito bom! Ambiente aconchegante e despojado.

– Um fim de tarde no Desfrutti com pessoas queridas

Nada melhor que tomar suco! Deliciosos!

– Visitar o Instituto Tomie Othake
Amantes do design e arquitetura, tudo de bom aquele lugar, além de ter cursos de vários tipos e períodos. Exposições na maioria das vezes gratuítas. (Não me recordo em ter pago nenhuma até hoje) A Exposição atual é a Cartazes Russos que vai até 20 de junho 2010.

– Ouvir bem os outros para evitar discórdias e seguir sua intuição quando sente que algo vai dar muito errado.

– Observar as flores! Têm efeito calmante em tempos caóticos!

Não recomendo:

– Ter como cabeleireiro Gerson
Um cara de aproximadamente 35, 36 anos que atende em um salão que fica em Santo Amaro, não dou o endereço p/ não dar ibope a quem não merece, não curti meu cabelo, pedi o dinheiro de volta, o cara devolveu R$ 10,00 a menos,  tudo por não ter seguido minha intuição, cheguei lá e senti vontade de sair, mas não fui embora e ainda fui vítima de cantada barata. Não desejo isso a ninguém.

– Deixar de fazer o que gosta por não ter companhia.
Quebrei o tabu e fui sozinha ao show do Zeca Baleiro….tudo de bom!

– Continuar um curso que vc não está gostando.
Aconteceu comigo, aproveitei 30% e perdi dinheiro.

E assim a vida segue!    ;0

Faxina

Fighter – Christina Aguilera

Limpei…joguei fora  fotos, cadernos, lembretes, bilhetes, cartas, revistas, contas pagas, CD´s …tudo o que deixou de ter sentido…. nada de nostalgia.

Exagero?

Talvez..acredito que existem coisas que acabam recebendo mais  atenção do que deveria. Isto acontece com pessoas também, mas fazer uma faxina na mente é mais difícil,  sempre há um vestígio na mente e mesmo sem querer, as vezes nos lembramos de alguém de que não queremos. 

Mas sei que o era físico e não me servia mais, foi embora! Aloha total!

Não sou nada mística, não falo de feng shui mas a atmosfera ficou melhor.

Se teve experiências ruins, extraia o que favorece seu crescimento, o restante, elimine. Não vale a pena deixar  conceitos e valores  sufocados em inutilidade, inutilidade esta que se encaminha para um aterro sanitário agora.

Para que se apegar ao passado se o futuro está começando  no próximo segundo?

É só usar o  presente para decidir o que vai querer dele e seguir em frente.

 

 

 

…e o design?

Preenchendo um questionário para uma vaga de designer,  eis que surge a pergunta, como você define design?

Pensei em tantas respostas, passaram por minha mente tantas aulas, tantos workshops que participei inclusive um em 2006 com umas francesas Marine Peyre que desenvolvia luminárias com silicone e LN Boul, que desenvolvia utilitários e peças conceituais, inclusive  colares com macarrão. Lembro  até de ter ido ao Brás com elas e outros participantes do workshop em busca de EVA,  zíperes e outros apetrechos, esta é a parte lúdica do design. (O EVA foi furado e colocado em “bastões” de alumínio e foram parar em uma exposição aqui em São Paulo.) Foi uma boa experiência!

Recordei de algumas aulas com professores falando sobre o assunto. Engraçado pensar no que é design.

Design deveria estar em todo lugar, mas não está. Há muita programação visual pouco estudada, cadeiras e poltronas que embelezam, mas com falhas ergonômicas que causam dores em seus usuários. Assunto complexo!

Enfim, precisava responder.  De forma simplificada justifiquei:

Design  proporciona conforto, elegância e agrega valores aos produtos. Também melhora a comunicação e agrega bom senso nos trabalhos gráficos.

Pronto!

Depois de quase uma hora e meia  de teste, questionário e entrevista, fiquei sabendo o salário… Que vontade de chorar!

É meu bem, estamos no Brasil!

O bom design ainda é caro e a mão de obra bem barata.

Por fim, agradeci a proposta e decidir esperar  por outra.

Convite a exposição que aconteceu na Galeria/Livraria Pop em São Paulo  Fonte: http://os00.info/html/news.php?id=

Exposição que aconteceu na Galeria/Livraria Pop em São Paulo (Fonte: http://os00.info/html/news.php?id=)

Lenine – A Rede

Cá estou eu desprezando o ócio!

Com o septo endireitado, fruto de uma cirurgia bem sucedida  – segundo o médico –  meu nariz continua ‘produzindo líquidos’ que precisam ser eliminados constantemente e esta é a pior parte. Ainda não posso executar nenhuma ‘operação’ que faça meu nariz aquecer e conseqüentemente sangrar. Sem pular, dançar, correr, nadar, andar de bicicleta…o calor do sol  (este ultimo sem problemas.. faz frio em São Paulo mesmo, nem parece primavera).

Cá estou procrastinando mais do que nunca no computador, buscando coisas úteis  e fúteis, desenhando, tentando organizar meu portifólio, procurando um bom emprego, colocando a conversa em dia com os amigos e etc.

É incrivel, quando a gente pede uma lacuna na vida para ficar em casa quando a vida tá corrida, quando aparece esta lacuna, a gente costuma planejar coisas e não executar, no meu caso por exemplo, comecei a fazer uma bolsa com um tecido bem legal que encontrei na Cinerama um dia desses e ainda não terminei, cuido das flores, observo a gata, penso na vida e parece que nem tudo flui.

O interessante disso é, como uma limitação faz com que a vida tome um rumo diferente ou estagne mesmo que temporariamente, quando surge tempo livre temos duas opções, se perder no ócio ou desapegar do que tinha e encarar aproveitar o tempo. Parece que ter uma rotina mesmo que chata é melhor do que refazer a agenda e se reprogramar.

Escravos do sistema? Talvez seja simplesmente mania de criar vínculos com a rotina e mania de sentir saudade fugindo do desapego. Períodos de transição causa ansiedade, mas podem ser vistos como períodos de oportunidades.

Oportunidade de se conhecer melhor, escolher novas coisas, tentar seguir a vida de forma diferente. Desapego é um exercício, dói bem menos do que parece.

by Regiane

by Regiane

Esses dias tenho andado no ócio e lendo bastante.  Não lembro mais onde li esta frase do Hitchcock, mas fiquei pensando nela.

O que será que o ‘mestre’ dos filmes de suspense quis dizer realmente? Quando há barulho, não há terror? Ou que,  o que amedronta, não faz barulho?

Bem,  provavelmente deve ter alguma explicação ligada ao mercado cinematográfico.

De certa forma eu concordo, existem coisas que chegam de forma silenciosa e  é um terror. Quando você recebe a notícia que foi demitido por exemplo….geralmente  seu gerente até estava te tratando melhor naquela semana…só voce não havia percebido o rumo que sua vida profissional iria tomar. A notícia veio sem barulho, nada de ruído, mas foi terriiiiível!!!! Houve lamentações logo em seguida, eis o estrondo.

Outro exemplo,  para quem conhece São Paulo, terror é andar na Marginal Pinheiros as 18h30 e ver aquele majestoso Shopping Cidade Jardim com suas torres residenciais, palmeiras, piscina olímpica de um lado, uma ponte imponente (ou melhor uma Obra de Arte conforme denominada pelos arquitetos) do outro e em seguida,  a comunidade do Real Parque ao lado do shopping. E claro não podemos nos esquecer da cor e do cheiro do rio, um verdadeiro terror.

Fiz uma sucinta lista do que aterroriza muita gente:

  • o terror atual, a Swine Flu (Gripe Suína maldita)….quanto barulho este assunto causa;
  • outro terror mais atual que a gripe, esperar praticamente dois meses para que Michael Jackson seja enterrado;
  • um cara chato quando pega no seu pé;
  • o  trânsito da cidade de São Paulo;
  • o  resmungo constante de alguém;
  • ficar em casa as tardes de domingo vendo TV;
  • o despertador numa manhã fria de segunda-feira;

Tudo isso  faz barulho e aterroriza!

Só em pensar que existe gente nesse mundo acreditando que a maneira correta de se ter dignidade é ficando rico, pode-se concluir que muita coisa causa terror, com ou sem estrondo.

Enfim, meu propósito não é de desanimar ninguém, mas para refletir. Que geração é essa? Cheia de terrores e anseios. Busca constante de soluções e repleta de ações inacabadas… e ainda Edvard Munch que lá em 1893 já pensava que era hora de ficar angustiado e gritar!

O Grito de Edvard Munch 1893
O Grito de Edvard Munch 1893

Angustia de Edvard Munch 1894
Angustia de Edvard Munch 1894

MUNDO LÚCIDO

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